Receita Federal lança diretrizes pioneiras para uso ético e seguro da Inteligência Artificial

Receita Federal estabelece nova política de IA com foco em ética, controle humano e proteção de dados

A Receita Federal deu um passo importante no cenário internacional ao apresentar sua Política de Inteligência Artificial, um marco que define diretrizes claras para o uso responsável da tecnologia no setor público. A proposta reúne princípios éticos, jurídicos e técnicos que passam a orientar o uso da IA nas atividades tributárias e aduaneiras.

O anúncio foi feito pelo subsecretário de Gestão Corporativa, Juliano Neves, durante um encontro da ONU voltado à cooperação internacional em matéria tributária, reforçando o protagonismo do Brasil nesse debate global.

A nova política se destaca por colocar o ser humano no centro das decisões, garantir a soberania dos dados públicos e estabelecer responsabilidades claras no uso da tecnologia.

Decisão final continua sendo humana

Apesar do uso crescente da Inteligência Artificial como ferramenta de apoio, a Receita Federal reforça que nenhuma decisão administrativa pode ser tomada exclusivamente por sistemas automatizados.

Ou seja, a tecnologia auxilia — mas não substitui — o julgamento dos servidores públicos. O controle final permanece humano, assegurando mais segurança, justiça e o direito de revisão por parte dos contribuintes.

Supervisão específica para IA generativa

Um dos pontos mais inovadores da política é a criação da função de Curador de Inteligência Artificial Generativa.

Esse profissional será responsável por acompanhar o desempenho dos sistemas, identificando possíveis falhas, vieses ou inconsistências, além de garantir que as respostas geradas estejam alinhadas aos padrões éticos e institucionais.

Responsabilidade individual e limites claros

A norma também estabelece que o uso inadequado da Inteligência Artificial pode gerar პასუხისმგ responsabilidade disciplinar ao agente público.

Além disso, há proibições expressas quanto ao uso da tecnologia para práticas como:

  • manipulação subliminar
  • classificação social
  • vigilância em massa

Essas restrições reforçam a proteção aos direitos fundamentais e colocam o Brasil entre os países com maior rigor nesse tema.

Proteção e soberania dos dados

Outro destaque é o cuidado com os dados dos contribuintes. A política proíbe que informações fiscais sejam utilizadas por terceiros para treinar modelos comerciais de IA.

A prioridade é manter o controle total sobre armazenamento, processamento e acesso aos dados, garantindo maior segurança e governança.

Gestão de riscos estruturada

A Receita Federal também implementou um modelo robusto de gestão de riscos, com avaliações em múltiplos níveis para cada sistema de IA.

Esse acompanhamento contínuo busca prevenir falhas, reduzir vulnerabilidades e evitar usos indevidos ao longo de todo o ciclo de vida das soluções tecnológicas.

Inovação com segurança

Para não travar o avanço tecnológico, foi criado um modelo mais ágil de desenvolvimento, permitindo testes e protótipos em ambientes controlados.

Isso garante inovação sem abrir mão da responsabilidade e da governança.

Capacitação e transparência

A política também prevê treinamento contínuo dos servidores, garantindo que todos compreendam o funcionamento, os limites e os riscos da Inteligência Artificial.

Além disso, os sistemas devem ser transparentes e explicáveis, permitindo auditoria e entendimento claro dos critérios utilizados nas decisões.

Um novo padrão para o setor público

Com essa iniciativa, a Receita Federal posiciona o Brasil como referência internacional no uso responsável da Inteligência Artificial.

O modelo mostra que é possível unir tecnologia, ética, segurança e controle humano — fortalecendo a confiança da sociedade e modernizando a administração pública.

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