Alteração na jornada de trabalho pode impactar na contribuição à previdência social

Mudança na Jornada de Trabalho Pode Afetar a Previdência Social, Explica Especialista A proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 36 horas semanais está prestes a ser protocolada na Câmara dos Deputados. A proposta busca eliminar a possibilidade de escalas de seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso (modelo 6×1), substituindo por um formato em que o trabalhador teria três dias de folga, incluindo o fim de semana. Embora o caminho para aprovação da proposta ainda seja longo, o tema tem gerado intensos debates. Uma questão pouco discutida, porém importante, é como essa alteração pode impactar a Previdência Social. O advogado especialista em Previdência Social, Jefferson Maleski, do escritório Celso Cândido de Souza (CCS) Advogados, destaca que o impacto depende de uma possível alteração salarial. “Se a jornada for reduzida sem diminuição no salário, não haverá alteração na contribuição à Previdência Social. A Previdência se baseia no valor recebido pelo trabalhador, e não na quantidade de horas trabalhadas. Nesse caso, a mudança afetaria principalmente a arrecadação das empresas, que teriam de contratar mais funcionários para cobrir os dias não trabalhados, aumentando as contribuições previdenciárias. Esse custo adicional seria, provavelmente, repassado aos consumidores”, explica. Contudo, caso a redução de jornada implique redução salarial, o especialista alerta para as possíveis consequências. “Se o salário for reduzido proporcionalmente à jornada, isso pode afetar a contribuição à Previdência. A contribuição mínima exigida é referente a um salário mínimo. Se o valor do salário diminuir abaixo desse patamar, o trabalhador precisará complementar a contribuição por meio de uma guia suplementar para garantir que o mês seja contabilizado para a Previdência”, afirma Maleski. Impactos nos Benefícios Previdenciários Maleski também menciona os possíveis efeitos sobre os benefícios previdenciários. “Se a jornada de trabalho for reduzida, é possível que o trabalhador sofra menos acidentes, sinta menos estresse e experimente um desgaste menor. Isso pode resultar em menos pedidos de benefícios previdenciários, já que ele estará exposto a menos riscos. Além disso, uma menor carga de trabalho pode reduzir o número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, o que, consequentemente, reduziria a carga tributária das empresas e a quantidade de benefícios pagos pela Previdência Social.” No entanto, o advogado adverte sobre outro aspecto importante: “Essa mudança só seria benéfica se o trabalhador continuar recebendo um salário digno, compatível com as suas necessidades. Caso contrário, há o risco de a redução da jornada levar o trabalhador a buscar uma segunda ocupação para complementar a renda, o que sobrecarregaria ainda mais sua rotina. Em vez de reduzir os acidentes e doenças, isso poderia até aumentar esses problemas, visto que ele ficaria exausto com dois empregos. Um exemplo disso é observado em profissionais da saúde, que muitas vezes trabalham em dois empregos para garantir uma renda maior”, conclui Maleski.

Governo amplia período para negociação de débitos na dívida ativa para pequenas empresas.

Na última sexta-feira (29), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) anunciou, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), a prorrogação do prazo para adesão ao edital PGDAU nº 7/2024. A medida permite que Microempreendedores Individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs) possam renegociar débitos do Simples Nacional que estejam inscritos na dívida ativa, com condições facilitadas e mais favoráveis para a regularização fiscal. O novo prazo para adesão vai até o dia 31 de janeiro de 2025, às 19h (horário de Brasília), oferecendo mais tempo para que as MPEs regularizem suas pendências tributárias. Para aderir ao programa de renegociação, as empresas interessadas devem acessar o site Regularize, onde poderão formalizar a adesão. A prorrogação do prazo, que antes terminaria em 29 de novembro de 2024, foi estabelecida com o objetivo de dar mais oportunidade aos pequenos empresários, que enfrentam dificuldades financeiras, especialmente em tempos de instabilidade econômica. Este programa de regularização é uma chance significativa para as micro e pequenas empresas resolverem suas pendências fiscais de forma menos onerosa e sem comprometer ainda mais o fluxo de caixa. As condições de pagamento incluem descontos substanciais em juros, multas e encargos, além de prazos mais longos para o pagamento da dívida. A prorrogação do prazo visa facilitar o acesso a essas condições e apoiar as MPEs, que representam a maior parte das empresas no Brasil e são fundamentais para a economia nacional. A medida também é uma estratégia do governo para aumentar a arrecadação e regularizar os débitos fiscais que estão na dívida ativa, sem prejudicar a saúde financeira das empresas.

A necessidade da campanha educativa na implementação do DREX

O Banco Central está avançando com a implementação do Drex, a moeda digital brasileira, mas ainda enfrenta desafios importantes. Embora já tenha iniciado a segunda fase de testes, a moeda digital precisa resolver questões fundamentais, como a implementação de uma solução definitiva de privacidade que atenda à legislação brasileira. Apesar das quatro ferramentas de privacidade disponíveis, nenhuma delas foi capaz de atender completamente aos requisitos necessários. Esse é um ponto crítico que precisa ser solucionado para o sucesso da moeda. Além disso, a segunda fase de testes traz novidades significativas: permitirá a inclusão de ativos não regulados pelo Banco Central na plataforma, iniciará a avaliação de contratos inteligentes e ampliará a participação de mais atores no projeto piloto. Com isso, o Banco Central já prevê um adiamento da implementação do Drex para 2025. Na primeira fase do piloto, foram selecionados 13 casos de uso a partir de 42 propostas apresentadas por 16 consórcios participantes. Entre os casos escolhidos, estão transações envolvendo diferentes tipos de ativos, como imóveis, carros e cédulas de crédito bancário (CCBs). No exemplo da compra e venda de carros, o Drex pode resolver um problema clássico: a transferência da posse do bem sem que o pagamento seja feito ou, para o comprador, o depósito do valor sem que o carro esteja registrado em seu nome. Com o Drex, essa transação será simultânea, segura, transparente e fluida, eliminando fricções e aumentando a confiança entre as partes. Embora a moeda digital brasileira abra um novo universo de oportunidades para o setor financeiro, sua adoção não será tão simples quanto a do PIX, o sistema de pagamentos instantâneos que teve uma adesão rápida e massiva entre os brasileiros. De acordo com a pesquisa “Da cédula ao Drex: a evolução do real em 30 anos”, realizada pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD) para o Mercado Pago, 46% dos entrevistados ainda estão indecisos sobre a migração para a moeda digital, o que reflete um certo receio em relação à sua aplicação. Esse receio está ligado à falta de familiaridade com a tecnologia blockchain e sua usabilidade. A pesquisa também revela que 50,5% dos brasileiros acreditam que o papel-moeda desaparecerá nos próximos 10 anos. Além disso, a desconfiança em relação à tecnologia blockchain, alimentada por golpes envolvendo criptomoedas como Bitcoin e Ethereum, é uma preocupação legítima para parte da população. No entanto, vale destacar que, ao contrário dessas criptomoedas, o Drex será lastreado no real, o que lhe confere maior estabilidade e alcance. Para incentivar a adoção do Drex pelos brasileiros, é essencial investir em campanhas educativas, um aspecto frequentemente subestimado, mas fundamental para o sucesso da transição para a moeda digital. A educação financeira, além de ser crucial durante a fase de testes, deve ser uma prioridade constante para garantir que a população compreenda as vantagens e o funcionamento do Drex. O Brasil tem se mostrado um terreno fértil para a inovação tecnológica, especialmente no setor financeiro, e a transformação digital já é uma prioridade para muitas empresas. No entanto, para garantir que essa receptividade se mantenha, é fundamental continuar promovendo a educação financeira em todas as suas vertentes.

Rendimentos de até R$ 5 Mil ficarão isentos de imposto de renda, anuncia o Governo.

Governo Anuncia Proposta de Aumento da Faixa de Isenção do Imposto de Renda para Rendimentos de Até R$ 5 Mil O Governo Federal divulgou uma proposta de reforma do Imposto de Renda (IRPF) que promete beneficiar a classe média ao ampliar significativamente o limite de isenção. Se aprovada, a medida permitirá que contribuintes com rendimentos mensais de até R$ 5 mil fiquem isentos do pagamento do imposto. Atualmente, esse limite de isenção é de R$ 2.640. Detalhes da Proposta: 1. Implementação Prevista para 2026 A proposta será discutida no Congresso Nacional, com a previsão de debate e análise das propostas no primeiro semestre de 2025. Caso seja aprovada, as novas regras começarão a valer a partir de 1º de janeiro de 2026. 2. Alterações para Rendas Superiores a R$ 50 Mil Uma das principais mudanças da proposta é a criação de uma alíquota mínima de 10% para rendimentos superiores a R$ 50 mil mensais. Esse imposto será aplicado sobre todos os tipos de rendimento, incluindo salários, aluguéis, dividendos e outros. 3. Crédito Tributário para Rendimentos Entre R$ 5 mil e R$ 7,5 mil Para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7,5 mil mensais, será concedido um crédito tributário, o que proporcionará um desconto no imposto devido. Esse crédito será calculado com base em um fator de ajuste, aliviando a carga tributária sobre essa faixa de rendimentos. 4. Isenção Relacionada à Saúde Pessoas com despesas médicas significativas poderão se beneficiar de uma isenção do Imposto de Renda, que será limitada a rendimentos de até R$ 20 mil mensais. Além disso, as despesas médicas seguirão sendo dedutíveis integralmente, sem alterações nas regras existentes, o que beneficia especialmente aqueles com altos custos médicos. Objetivos da Reforma A principal intenção do governo com essa reforma é aliviar a carga tributária sobre a classe média, principalmente aqueles com rendimentos mais baixos, enquanto mantém uma tributação mais pesada para os mais ricos, especialmente para quem tem rendimentos mensais acima de R$ 50 mil. A medida visa, também, garantir que os gastos com saúde, um tema cada vez mais importante, sejam devidamente reconhecidos e desonerados do Imposto de Renda. Se aprovada, a mudança no Imposto de Renda promete trazer um alívio significativo para as famílias de menor e médio poder aquisitivo, ao mesmo tempo em que promove uma tributação mais justa para os altos rendimentos. Próximos Passos Agora, a proposta seguirá para discussão no Congresso, onde poderá sofrer ajustes antes de sua possível implementação. O governo espera que as alterações sejam bem recebidas, considerando o impacto positivo sobre os contribuintes com rendimentos menores e médios, além de manter a justiça tributária com relação aos rendimentos mais elevados.

Digitalização da área fiscal: a chave para o crescimento empresarial

Em muitas empresas, o setor fiscal acaba sendo visto apenas como uma função operacional, essencial para o cumprimento das obrigações tributárias. Contudo, essa visão está ficando cada vez mais ultrapassada. A realidade atual é que esse departamento não só lida com uma enorme quantidade de dados fiscais, mas também desempenha um papel estratégico importante, que pode influenciar diretamente nas decisões empresariais e no desempenho financeiro da organização. Se analisarmos mais a fundo, perceberemos que o setor fiscal gera um volume considerável de informações a cada atividade realizada. Quando essas informações são bem gerenciadas e analisadas, podem oferecer insights valiosos para a tomada de decisão. Esse potencial se torna ainda mais evidente em tempos de reforma tributária e reavaliação das práticas fiscais nas empresas. Uma gestão tributária eficiente, por exemplo, pode impactar diretamente no custo de aquisição de matérias-primas, bens e serviços. Isso possibilita negociações mais vantajosas e contribui para a construção de estratégias de precificação mais competitivas. Com a utilização adequada dos dados fiscais, é possível não apenas reduzir custos, mas também aumentar as margens de lucro, posicionando a empresa de maneira mais assertiva no mercado. Organizações que estão à frente desse processo são, em grande parte, startups e grandes empresas que já reconheceram o valor estratégico do departamento fiscal. Um estudo da Vertex revela que essas instituições conseguem otimizar sua eficiência operacional em até 30%, ao mesmo tempo em que melhoram o controle sobre seus dados e reduzem riscos. A  está se aproximando e, com ela, a necessidade de muitas empresas, independentemente de seu porte ou setor, reconsiderarem como estão gerenciando sua área tributária. Este é o momento ideal para repensar o papel do setor fiscal e investir em automação, adotando uma abordagem mais proativa que vá além do simples cumprimento de normas. A pressão por eficiência, a busca pela redução de custos e o uso de novas tecnologias estão transformando a gestão fiscal. Hoje, é possível integrar soluções de automação e big data para transformar uma gestão tradicionalmente reativa em uma abordagem que antecipa tendências, identifica oportunidades e otimiza processos, ao mesmo tempo em que reduz riscos. De acordo com um estudo da Deloitte, 85% das empresas globais acreditam que o setor fiscal pode agregar valor significativo à redução de custos e à otimização tributária. Porém, apesar dessa percepção crescente, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para colocar em prática essa transformação. De acordo com um relatório da PwC, apenas 45% das grandes empresas estão utilizando ferramentas de automação na gestão tributária, o que indica um gap significativo na adoção de tecnologias nesse campo. As oportunidades de diferenciação estão à disposição das empresas, mas é necessário mudar a mentalidade. O momento de transformar o departamento fiscal em um pilar estratégico é agora. Para as empresas que já adotaram essa visão, o futuro é promissor. Para aquelas que continuam tratando a área fiscal como uma simples obrigação, as chances de crescimento podem ser desperdiçadas.

Novo CNPJ: mais um capítulo na saga da transformação digital dos bancos

Com a evolução do Pix e do Open Finance, bancos, instituições de pagamentos e seguradoras enfrentam agora um novo desafio: adaptar seus sistemas para receber, processar e armazenar o novo formato do CNPJ, que passará a ser alfanumérico a partir de julho de 2026, conforme anunciado pela Receita Federal do Brasil (RFB). De acordo com Camille Ocampo, diretor executivo da Capco, essa mudança é especialmente complexa porque impacta diretamente as operações essenciais das instituições, como seus programas e bancos de dados. “O maior desafio está em adequar sistemas existentes, o que pode ser mais arriscado do que a implementação de novas soluções, como foi o caso do Pix, que se integra aos sistemas já estabelecidos”, afirma. Recentemente, a RFB divulgou a Instrução Normativa nº 2229, que estabelece o novo formato alfanumérico para o CNPJ. A mudança é necessária devido à alta demanda por novos números de CNPJ, já que o modelo atual oferece 100 milhões de combinações e 60 milhões já estão em uso. Se a demanda continuar crescente, o sistema atual pode se esgotar até 2033. Ocampo destaca que um dos principais riscos para as instituições financeiras é a necessidade de modificar códigos antigos em seus sistemas, que muitas vezes não têm documentação atualizada. Isso pode dificultar a identificação das alterações necessárias e gerar erros, comprometendo o funcionamento dos sistemas e das bases de dados. Para ajudar a enfrentar esse desafio, a Inteligência Artificial Generativa se apresenta como uma importante aliada. “Em nossos projetos, utilizamos um framework que aplica IA Generativa para simplificar a identificação de alterações nos códigos, facilitar a atualização da documentação e melhorar os testes de segurança. Isso reduz riscos e acelera a entrega”, explica Ocampo. Embora o processo de adaptação, testes e implementação segura para operar com o novo CNPJ leve meses, algumas instituições já começaram a se preparar, o que facilitará a transição quando a mudança for oficialmente implementada em 2026.

Negócios no valor de mais de R$ 2,4 milhões são concluídos durante o Web Summit Lisboa

Web Summit Lisboa 2024: Mais de R$ 2,4 milhões em investimentos e um futuro promissor para as startups brasileiras Durante a edição de 2024 do Web Summit Lisboa, o ecossistema de startups brasileiro brilhou, com destaque para a bioeconomia, a sustentabilidade e a inclusão. Ao longo do evento, mais de R$ 2,4 milhões foram captados em investimentos, com projeção de que esse número possa atingir R$ 75,6 milhões nos próximos meses, com base nas rodadas de negócios realizadas. Este ano, o Brasil marcou presença com a maior delegação de startups inovadoras da sua história no Web Summit, levando cerca de 400 empresas ao evento. As startups brasileiras receberam o apoio do Sebrae e da Apex Brasil, que promoveram a participação de empresas de diversas regiões, com destaque para o Inova Amazônia, que levou 16 empresas focadas em bioeconomia, e o StartupNE, que contou com 10 iniciativas da região Nordeste. Além disso, o programa Catalisa ICT, que apoia negócios provenientes da Academia, também teve uma forte representação, com cinco empresas, incluindo a startup Orby.co, que venceu a competição de pitch da Startup Portugal, superando empresas de seis países. A participação das startups no Web Summit não se limitou a uma simples exposição. Com a realização de 11 acordos durante o evento, as expectativas são de que mais 48 negociações sejam fechadas nos próximos seis meses, ampliando ainda mais o impacto da presença brasileira no evento. Visibilidade global e fortalecimento do ecossistema A presença massiva das startups brasileiras no Web Summit representa um marco significativo para o ecossistema nacional, colocando o Brasil em uma posição estratégica no cenário global de inovação. Além dos acordos realizados, as empresas participaram de um intenso processo de networking, o que deve contribuir para futuras colaborações internacionais, especialmente em áreas como bioeconomia e tecnologias de impacto. Cris Mieko, head de startups do Sebrae, destacou a importância dessa missão, que contou com uma agenda estratégica para preparar as empresas e alinhar suas soluções às demandas internacionais. O Sebrae também se comprometeu a continuar abrindo portas para as startups brasileiras, promovendo a sustentabilidade e inovação em um contexto global. O papel do Sebrae na inovação e sustentabilidade O Sebrae tem concentrado esforços para colocar as pequenas empresas no centro do desenvolvimento sustentável do Brasil, com um foco especial na bioeconomia. Durante o evento, o diretor-técnico do Sebrae, Bruno Quick, enfatizou o compromisso da instituição em promover inovação de forma descentralizada, com mais de 1.500 instituições parceiras e um total de 18 mil startups no Brasil. Destas, 600 estão localizadas na Amazônia, com 70% sendo lideradas por mulheres. A agenda do Sebrae é clara: unir inovação, sustentabilidade e inclusão, incentivando outros países a repensarem suas estratégias. Para 2024, o objetivo é que o Brasil se posicione como uma referência global, especialmente no campo da economia verde, que tem a bioeconomia como um dos seus maiores focos. Crescimento e impacto no futuro Com o fechamento de negócios e a geração de investimentos no valor de R$ 2,4 milhões, o Web Summit Lisboa 2024 foi um ponto de partida para um crescimento exponencial das startups brasileiras. A projeção de que esse valor possa ultrapassar R$ 75,6 milhões é um indicativo claro de que o Brasil está se consolidando como uma potência de inovação e sustentabilidade, com o Sebrae como um dos principais motores desse movimento. Essa participação reforça a importância de continuar investindo nas novas soluções tecnológicas, incentivando o empreendedorismo inovador e contribuindo para o posicionamento do Brasil como líder em setores como bioeconomia e tecnologia sustentável no cenário global.

Câmara reabre o debate sobre a reforma trabalhista após sete anos

A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados promove, na próxima quarta-feira (27), uma audiência pública para discutir os impactos da Reforma Trabalhista (Lei 13.467/17) após sete anos de sua implementação. O evento será uma oportunidade para avaliar os efeitos dessa reforma nas relações de trabalho, nas organizações sindicais e nos litígios judiciais, trazendo à tona as repercussões dessa importante mudança na legislação trabalhista brasileira. A audiência foi solicitada pelo deputado Bohn Gass (PT-RS) e ocorrerá a partir das 16h30, com o plenário ainda a ser definido. O debate pretende reunir especialistas, representantes de entidades sindicais, empresários, juristas e outros envolvidos no tema, com o objetivo de analisar de forma detalhada os efeitos da Reforma Trabalhista em diferentes aspectos da economia e da sociedade brasileira. O deputado Bohn Gass, autor do pedido, destacou que a reforma trouxe mudanças significativas para o mercado de trabalho, a estrutura das negociações coletivas, as condições de trabalho e o papel dos sindicatos. Entre os pontos que serão discutidos, estão as mudanças nas regras de jornada de trabalho, as novas formas de contratação, o fortalecimento da negociação direta entre empregador e empregado, e a redução do papel da Justiça do Trabalho. Para Bohn Gass, é fundamental entender as consequências dessas alterações, tanto para os trabalhadores quanto para os empregadores e para a economia como um todo. A audiência será dividida em três grandes blocos de discussão: Análise dos Resultados da Reforma no Mercado de Trabalho, Qualidade do Emprego e Dinâmica Processual Trabalhista: Neste primeiro bloco, especialistas e pesquisadores irão analisar como a reforma impactou o mercado de trabalho no Brasil, com foco na geração de empregos, nas condições de trabalho e nas mudanças nos processos judiciais. Um dos pontos mais polêmicos da reforma foi a flexibilização das normas trabalhistas, que, segundo os críticos, pode ter resultado na precarização do trabalho e no aumento das desigualdades. Já os defensores apontam que a medida teria contribuído para a redução da burocracia e maior adaptação das normas à realidade do mercado. Impactos da Reforma no Desenvolvimento Econômico do País: O segundo bloco será voltado para os efeitos econômicos da reforma, com uma análise de como as mudanças afetaram a produtividade das empresas, a competitividade do Brasil no mercado global e a atratividade do país para investimentos estrangeiros. A discussão também abordará as implicações da reforma para a formalização do trabalho, a redução da informalidade e os possíveis efeitos sobre a redução de custos para as empresas. Análise da Aplicação da Reforma na Organização Sindical, Contratos de Trabalho e Negociações Coletivas: No terceiro bloco, o debate será voltado para a reforma no contexto sindical e das negociações coletivas. A reforma trouxe mudanças significativas para o papel dos sindicatos, que passaram a ter um poder reduzido em algumas áreas, além de ter alterado a dinâmica das convenções e acordos coletivos. A flexibilização das relações de trabalho também gerou controvérsias sobre a precarização dos direitos trabalhistas e o enfraquecimento da organização dos trabalhadores. O debate sobre os sete anos de vigência da Reforma Trabalhista é de grande relevância, pois permite avaliar, à luz da experiência adquirida, os ganhos e os desafios dessa reforma, tanto para os trabalhadores quanto para os empregadores e para o país como um todo. A audiência busca ouvir diferentes pontos de vista e contribuir para um entendimento mais aprofundado dos efeitos das alterações nas leis trabalhistas. O objetivo é identificar os pontos de sucesso e as áreas que precisam de ajustes, visando, sempre, o equilíbrio entre a proteção dos direitos dos trabalhadores e a promoção de um ambiente de negócios mais dinâmico e competitivo. A Reforma Trabalhista de 2017 foi uma das mais controversas já implementadas no Brasil. Seu objetivo principal foi modernizar as relações de trabalho, adaptando-as às novas realidades do mercado e às mudanças tecnológicas. No entanto, muitos argumentam que, ao flexibilizar as normas, a reforma teria enfraquecido os direitos dos trabalhadores, aumentando a vulnerabilidade da classe trabalhadora. Por outro lado, os defensores da reforma afirmam que ela foi essencial para tornar o mercado de trabalho mais competitivo e aumentar a formalização dos vínculos empregatícios. Os resultados dessa transformação ainda são amplamente debatidos e, com a audiência pública marcada para quarta-feira, espera-se que surjam novas perspectivas sobre os verdadeiros impactos da reforma na sociedade brasileira.

O futuro da sustentabilidade é inteligente: a IA como aliada na jornada ESG

A implantação de um modelo de governança corporativa totalmente alinhado com os princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) é uma necessidade crescente, mas não é uma tarefa simples. Ela exige rigoroso controle sobre os processos, e, antes de mais nada, requer um projeto bem estruturado, o que pode ser desafiador para aqueles que não estão acostumados a planejar seus processos de forma detalhada. Organizações de grande porte podem contar com profissionais especializados para implementar esses modelos, mas empresas de médio e pequeno porte geralmente começam do zero. Se a implementação ocorrer mais por pressão externa, seja por força da legislação ou da sociedade, do que por uma verdadeira cultura corporativa voltada à responsabilidade social e ambiental – um cenário comum no Brasil e no mundo – fica ainda mais difícil incentivar os gestores a sair da zona de conforto, que até então esteve centrada no desempenho financeiro e no lucro, independentemente dos impactos sociais e ambientais da organização. Contudo, as organizações contemporâneas têm à sua disposição um aliado importante nesse processo de adaptação: a Inteligência Artificial (IA). Com seu poder de processamento de dados, a IA não só auxilia na implementação inicial de uma estratégia ESG, como também oferece suporte contínuo no controle de processos e no acompanhamento das ações necessárias para o bom funcionamento do modelo. Embora seja mais fácil ilustrar a aplicação de IA no aspecto financeiro, é importante notar que a sustentabilidade vai além disso. Sistemas de precificação baseados em IA são um bom exemplo de como essa tecnologia pode beneficiar as organizações. Eles analisam em tempo real dados sobre os preços da concorrência, custos internos da empresa e comportamento dos consumidores, e oferecem aos gestores insights sobre como precificar produtos de forma competitiva. Isso é particularmente útil no setor varejista, como no caso das grandes redes de farmácias que frequentemente ajustam seus preços e ofertas. Esses sistemas permitem otimizar processos de vendas com um nível de eficiência que seria impossível alcançar apenas com métodos tradicionais, como planilhas ou softwares antigos. Contudo, o exemplo de precificação se aplica a diversas áreas de uma empresa, incluindo compras, vendas, recursos humanos, finanças e até processos industriais. Quando esses sistemas são integrados, os gestores conseguem ter uma visão completa e em tempo real de todos os processos, o que facilita a tomada de decisões. Mas o conceito ESG também abrange as preocupações ambientais e sociais. A IA pode ser um poderoso aliado nesse contexto. Ela já está sendo utilizada por diversas empresas e governos para monitorar práticas internas que possam indicar fraudes, corrupção, desvios de conduta ou até falhas que possam resultar em impactos ambientais ou sociais negativos. Além disso, a IA oferece insights sobre como as organizações podem reduzir seus impactos ambientais, seja identificando alternativas para o consumo de energia ou avaliando o impacto de suas operações nas comunidades ao redor. Em termos sociais, a tecnologia também tem sido aplicada para promover a transparência, melhorar a gestão de risco e otimizar as cadeias de suprimentos. Na área da saúde, por exemplo, a IA já tem um papel fundamental na otimização dos atendimentos, diagnósticos e até em cirurgias, tornando esses processos mais rápidos, precisos e menos custosos. Isso não só reduz despesas, mas também contribui para um atendimento de melhor qualidade e menor tempo de internação para os pacientes. No entanto, é importante destacar que a IA não é autônoma; ela funciona de acordo com os parâmetros definidos pelos seres humanos. São os gestores que determinam como a IA deve operar e que orientam sua aplicação. Isso traz à tona uma questão ética crucial: a necessidade de gestores bem intencionados que não apenas direcionem a IA para fins comerciais, mas também assegurem que ela seja usada para promover práticas transparentes e responsáveis. De certa forma, a comparação entre sistemas econômicos, como o capitalismo e o socialismo, ajuda a entender esse ponto. Ambos os modelos dependem mais dos gestores do que do sistema em si para alcançar o sucesso. O mesmo ocorre com a IA, que pode ser usada para promover transparência e eficiência ou, se mal administrada, pode ser manipulada para ocultar falhas ou favorecer interesses escusos. Portanto, a adoção de IA no contexto corporativo precisa vir acompanhada de protocolos de governança que assegurem a ética e a transparência em seu uso. Uma analogia útil aqui é o processo eleitoral no Brasil. A credibilidade do sistema eleitoral decorre do fato de que ele é administrado por um órgão independente, o TSE, que não está sujeito aos interesses diretos dos políticos. Da mesma forma, nas empresas que adotam a IA para implementar modelos ESG, é fundamental criar um conjunto de protocolos que impeça que o poder de decisão seja concentrado nas mãos de um único grupo ou executivo. Além disso, é essencial não perder de vista os impactos ambientais da própria tecnologia. O uso de IA envolve a fabricação de equipamentos, o consumo de energia durante seu funcionamento e o descarte dos dispositivos ao final de sua vida útil. Para mitigar esses impactos, as empresas precisam desenvolver planos para garantir a sustentabilidade de suas operações. O recente interesse de gigantes como Google e Amazon por pequenos reatores nucleares para gerar energia ilustra um exemplo de solução tecnológica que, embora eficaz, traz consigo seus próprios desafios ambientais, como o risco de resíduos nucleares. Portanto, a IA é, sem dúvida, uma ferramenta poderosa e indispensável para o futuro dos modelos ESG. No entanto, é crucial que as empresas adotem uma abordagem cuidadosa, consciente e ética, garantindo que a implementação da tecnologia seja feita de forma responsável, com atenção aos seus impactos e ao papel fundamental da transparência e da governança na sua utilização.

Escala 6×1: um desequilíbrio entre trabalho e vida pessoal

Médico do Trabalho Alerta sobre Impactos da Redução da Carga Horária e Defende Descanso Efetivo para Resultados Positivos O movimento VAT (Vida Além do Trabalho), que vem crescendo nas redes sociais, defende uma redução da carga horária para que as pessoas possam trabalhar menos e descansar mais. Embora o debate sobre a diminuição da jornada de trabalho não seja novo, ele está ganhando novo impulso, principalmente nas plataformas digitais. Mas a questão permanece: será que essa mudança realmente promove o bem-estar? A resposta, segundo especialistas, depende de vários fatores. O médico do trabalho Dr. Marcos Mendanha, autor do livro O que ninguém te contou sobre Burnout (Editora Mizuno), compartilha algumas reflexões importantes sobre a proposta. Ele afirma que, embora a redução da carga horária possa, de fato, trazer mais energia, disposição e produtividade, ela precisa ser acompanhada de uma real diminuição nas demandas diárias de trabalho. Caso contrário, o efeito pode ser oposto: ao reduzir a quantidade de dias trabalhados, mas manter o volume de tarefas, o trabalhador pode acabar sobrecarregado, o que aumenta o risco de estresse e esgotamento. “Se, por exemplo, a carga semanal de trabalho é distribuída em 6 dias e é reduzida para 4 dias, mas sem reduzir a carga de tarefas, a sobrecarga é inevitável. O trabalhador precisará realizar em 4 dias o que faria em 6, o que pode gerar mais cansaço, levando ao desgaste físico e mental. Esse tipo de sobrecarga está intimamente ligado ao Burnout”, explica Dr. Mendanha. Outro ponto importante que ele destaca é a necessidade de que o tempo de descanso seja efetivo para que se tenha os benefícios esperados. A questão que se coloca é: como os trabalhadores brasileiros utilizarão esses novos dias de folga, a longo prazo? Dr. Mendanha lembra que, muitas vezes, o aumento do descanso pode levar a um fenômeno inverso, como já é observado em algumas áreas, como a saúde, com jornadas de trabalho “12×36” (12 horas de trabalho seguidas de 36 horas de descanso). “Embora a jornada reduzida ofereça mais tempo de descanso, muitos trabalhadores acabam assumindo novos vínculos durante esse tempo livre. O resultado é que, em vez de descansar, acabam se sobrecarregando com mais trabalho, o que compromete ainda mais sua saúde mental e física”, alerta o médico. Ele também menciona que, na área da saúde, já se observa um comportamento inverso, com trabalhadores operando jornadas de 36 horas de trabalho e 12 horas de descanso, em múltiplos empregos. “Esse tipo de arranjo pode agravar significativamente o Burnout e outros problemas relacionados à saúde mental, pois o descanso previsto é mal utilizado, exacerbando o cansaço”, conclui Mendanha. Por fim, o médico ressalta que qualquer mudança, como a redução da jornada de trabalho, exige uma preparação cuidadosa. Para que essa mudança traga benefícios reais, é preciso repensar a distribuição das tarefas, otimizar os processos e assegurar que a carga de trabalho seja ajustada de acordo com os novos tempos de trabalho. Quando a mudança é feita de maneira estruturada e com treinamento adequado, os resultados podem ser extremamente positivos tanto para a saúde do trabalhador quanto para a produtividade organizacional.